Desafio da escrita: Dia 6

Dia 6: Escreva uma fanfic

      - Sabe Percy, agora que tudo isso está acontecendo comigo... – ela disse engolindo em seco, sem desviar os olhos do barco que navegava ao longe sob o rio. – Eu tenho a sensação de que deveria fazer tudo o que eu tenho vontade.
        Olhei para meus pés, sem saber o que fazer. Sabia que o que ela queria dizer era ‘’Agora que eu vou morrer logo, deveria fazer o que quero.’’ E saber disso doía mais do que seria possível.
        Annabeth era a minha melhor amiga desde que eu me entendo por gente. Como ela era a minha vizinha e estudávamos no mesmo colégio, passávamos a maior parte do tempo juntos. Há dois anos, começamos a namorar e foram os dois melhores anos da minha vida. Annabeth me conhecia melhor do que eu mesmo e eu a conhecia como se ela fizesse parte de mim.
        Ela descobrira o câncer ano passado, logo que entramos no último ano da escola. Annabeth estava radiante e determinada para passar em Harvard e tinha se inscrito em todas as matérias possíveis. 
       Quando a levaram para o hospital depois que ela desmaiou no meio do corredor, descobriram que ela tinha um tipo raro de câncer, o tipo de doença que ninguém sobrevivia mais do que um ano. Nos dois meses que se seguiram a Annabeth que eu conhecia tinha virado uma desconhecida. Não só fisicamente que com as seções de quimioterapia, ela optou por raspar seus cachos dourados e estava tão magra que suas costelas eram bem nítidas sob a pele translúcida, mas seu interior estava arrasado.
       Ela não tinha coragem pra me dizer, mas eu sabia que ela estava com medo.
        - Tipo o que? – perguntei dando de ombros. Ela olhou para o céu, pensando.
        - Não sei. – ela disse desviando seus tempestuosos olhos cinzentos para mim. – Alguma coisa que me deixe orgulhosa quando eu... – ela não continuou. Ainda não conseguia dizer a palavra morrer em voz alta.
Passei o braço ao redor de seus ombros quando ela tremeu.
        - Enquanto você pensa em algo, vamos pra sua casa tomar sopa. – disse e beijando o topo de sua cabeça. Ela gemeu de desgosto e começou a andar comigo.
        - Daria tudo pra poder comer porcaria de novo. – ela resmungou entrelaçando as nossas mãos e olhando para mim com cara de pidona. – Um triplo cheese com uma batata frita grande e Coca-cola.
       Sorri.
       - Sua mãe me mataria se eu fizesse isso. – respondi atravessando a rua. Ela fez bico e suspirou.
       - Eu também morreria se comesse isso. – ela disse tristemente e fungou. – Esqueça que falei isso, não quero que sinta pena de mim.
      Parei de andar.
       - Pare com isso. – disse sério. – Não sinto pena de você, de onde tirou isso?
       Annabeth olhou para o céu, que estava tão cinzento quanto seus olhos.
       - Eu estou morrendo, Percy. – ela disse de uma vez. – Eu posso sentir cada órgão meu pedir por ajuda e não receber, eu posso sentir meu corpo definhando. E você está bem e livre para ter uma vida mas ao invés disso fica sendo minha babá e...
      Abracei-a antes que ela dissesse algo mais.
      - Pare com isso. – disse em seu ouvido. – Eu quero ficar ao seu lado até o fim.
      Ela fungou no meu ombro.
       - Mas Percy... – ela começou a dizer.
       - Já que estou livre eu escolho ser livre ao seu lado porque eu amo você. – disse soltando-a e olhando para seus olhos lacrimejantes. – Consegue entender isso?
      Ela olhou para os seus pés. Levantei seu rosto com o meu polegar e beijei seus lábios delicadamente.
      - Agora vamos pra casa porque o tempo está ficando feio e logo vai chover. – disse passando o braço por cima de seus ombros e a guiando pelo caminho.
     Ela não disse mais nada pelo caminho.
     Quando chegamos à casa de seus pais, sua mãe nos recebeu com um sorriso aliviado e também cansado. A doença de Annabeth não era fácil pra ninguém, principalmente para sua mãe, que tinha que cuidar sozinha dela a maior parte do tempo já que o pai dela mora do outro lado do país com outra esposa e dois filhos.
     Annabeth colocou roupas pesadas e continuava tremendo de frio, tomou a sopa que tinha que tomar todo dia e diversos remédios para dor. Em seguida, sentou ao meu lado no sofá e nos enrolou em um grosso cobertor de lã.
      - Desculpe. – ela começou a dizer. – Estou sendo tola.
      Deitei-a em meus braços.
      - Não há nada para se desculpar. – disse acariciando seus braços por cima das camadas de roupas. – Como está se sentindo?
      - Normal. – ela respondeu rápido demais. Sabia que estava mentindo.
      - Está doendo? – perguntei preocupado. Não hesitaria em correr com Annabeth para o hospital mais uma vez.
      - Está sempre doendo. – ela disse sorrindo triste. – Não se preocupe, só estou com frio.
      - Vou pegar outro cobertor. – disse fazendo menção de levantar, mas ela me segurou.
      - Não precisa, assim está bom. – ela disse se aninhando mais em mim.
      Suspirei e beijei a sua cabeça. 
      - Estou com medo, Percy. – ela desabafou. – Tenho tantas dúvidas. Como vai ser? Será que vai doer? O que acontece depois? Vou simplesmente deixar de existir? Vou esquecer tudo? Vou esquecer você?
      Suspirei derrotado.
       - Não sei, meu amor. – respondi francamente. Já tinha lido diversas coisas sobre vida após a morte mas não tinha como saber se era verdade. – Mas eu sei que nunca vou te esquecer.
       - Deveria. – ela disse de repente. – Não deixe de viver por minha causa. Arrume uma namorada o mais rápido possível.
       - Eu já tenho uma. – respondi e ela sorriu para mim.
       - Prometa que vai viver depois que eu... for embora. – ela disse olhando para mim com seriedade.
       - Eu vou viver todos os dias com você na minha mente e no meu coração. – respondi e beijei a sua testa.
        - Você é impossível. – ela disse sorrindo. – Eu amo você.
        - Eu sei. – disse sorrindo. – É por isso que eu amo você.
        Ela me empurrou fingindo que não tinha gostado em seguida me deu um beijo.
        - Obrigada por ficar ao meu lado. – ela sussurrou se aninhando em mim novamente.
        - Obrigada por existir. – respondi antes dela pegar no sono.
        Fiquei observando-a dormir por várias horas. Annabeth dormia 18 horas por dia devido ao cansaço então já me acostumara a passar horas ao seu lado enquanto ela dormia.
       Voltei para casa depois que anoiteceu. A chuva caía incessantemente e me ensopava sem piedade. Não me importei. Só tinha espaço para Annabeth em minha mente.
        Sabia que a perderia logo mas não conseguia me imaginar sem ela. Sem seus olhares de crítica quando eu fazia algo estúpido e sua risada engraçada. Não queria perder a minha melhor amiga e único amor.
        Por volta da meia-noite, meu telefone tocou. Quando ouvi a voz de Atena do outro lado da linha, sabia que tudo estava acabado.
       Saí de casa correndo, ignorando a chuva e o frio e cheguei a casa de Annabeth em questão de segundos. Entrei sem bater na porta e subi as escadas para o quarto de Annabeth.
       Sua mãe estava sentada na soleira da porta, parada como uma estátua e olhando fixamente para o nada.
       - O que aconteceu? – perguntei com a voz vacilante. Ela nem olhou para mim.
       - Ela apenas parou de respirar enquanto dormia. – ela respondeu tão baixo que mal pude ouvir. – Ela está em paz agora.
       Passei por Atena sem dizer nada e entrei no quarto rapidamente. O quarto estava escuro e um galho arranhava a janela como se quisesse quebra-la. Annabeth era como um farol no meio da escuridão, chamando toda a minha atenção. Me ajoelhei ao seu lado.
      Não consegui dizer nada. Além do mais, que palavras confortariam alguém que não estava mais ali?
      Coloquei a cabeça no seu peito e nada. Nenhuma batida, nenhuma contração. Não havia mais nada.
      Chorei incessantemente. Naquela noite havia perdido minha melhor amiga e meu primeiro amor de uma vez só. Foi o pior dia da minha vida.
       Por outro lado, estava feliz que tivesse acabado. Annabeth passou um ano inteiro sofrendo e agora não sofreria mais e isso era um conforto no meio de tanta tristeza. 


Se quiser ler mais fanfics minhas, acesse o meu perfil do nyah
A imagem de abertura do post foi tirada do site devian art, se a imagem lhe pertence, mande um e-mail para nós que colocaremos os devidos créditos ou a remoção da imagem. 

Quer entender o desafio? Leia o post Desafio dos 15 dias de escrita e veja os desafios anteriores: Dias 2 e 3 e Dias 4 e 5

2 comentários:

  1. EU AMEI DE PAIXÃO SEU BLOG! Welcome to the Jungle Guns N' Roses apaixonada por eles,estou seguindo seu blog poderia retribuir? Beijinhos Obrigada
    http://moedadamoda.blogspot.com.br/

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Eaí, qual a sua opinião?

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Essa história de que um blog precisa ter um assunto só e ter uma dona só é ultrapassada. O bom mesmo é se expressar, inovar, e fazer as pessoas se identificarem! Isso é o que pretendemos escrevendo este blog pra vocês. Gabrielle Almeida; 18, Ciencias Sociais. Kamila Cavalcante;18, Jornalismo. Ylla Biavatti, 18, Medicina Veterinária. Todas de Manaus - AM, postando diariamente assuntos totalmente desritmados! :)

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